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Prática

Como montar uma rotina de treino de guitarra que cabe no seu dia

Um roteiro flexível para sair dos exercícios soltos e aproveitar o tempo com a guitarra, seja qual for o tamanho da sessão.

Por Equipe Dorica4 min de leitura

Você pega a guitarra, toca um pouco de cada coisa e, quando vê, o tempo acabou. Acontece. Uma rotina não precisa transformar a música em obrigação: ela só ajuda você a escolher o que fazer enquanto está com o instrumento na mão.

A ideia abaixo mistura técnica com música de verdade. Use os tempos como ponto de partida, não como regra. Se hoje você só tem alguns minutos, escolha um trecho. Se quiser ficar mais tempo, há uma alternativa também. Experimente reservar momentos de prática que caibam na sua semana; não é preciso tocar todos os dias para que uma sessão valha a pena.

Antes de ligar o cronômetro

Escolha uma coisa que gostaria de tocar melhor: por exemplo, a troca entre dois acordes de uma música ou uma frase curta com notas que saem emboladas. Tenha o trecho à mão e afine a guitarra. Se usar metrônomo, deixe-o por perto, mas não precisa tocar a sessão inteira com clique.

Escolha um andamento em que consiga ouvir o que está acontecendo. O número por si só não diz tudo: duas notas por batida a 60 BPM não são a mesma coisa que quatro notas por batida nesse andamento. Se não souber por onde começar, veja como usar o metrônomo na guitarra.

Uma sessão de 15 minutos

Aqui vai um exemplo completo. Os minutos incluem tempo para ouvir, ajustar e respirar; não precisam ser preenchidos com notas sem parar.

3 minutos: chegar ao instrumento

Toque notas ou acordes que já conhece, devagar e com movimentos confortáveis. Ouça se todas as notas soam como você quer. Depois experimente uma troca simples de acordes, sem se preocupar em acelerar. Essa entrada também serve para perceber como você está no dia; se precisar, faça uma pausa.

4 minutos: trabalhar uma dificuldade

Escolha uma única tarefa. Para praticar a coordenação das mãos, toque na corda Mi grave as casas 5, 6, 7 e 8, uma nota por vez, com palhetadas alternadas para baixo e para cima. Comece de novo depois da casa 8. Deixe cada dedo chegar à casa junto com a palhetada e escute se alguma nota sai abafada.

Com o clique marcando a batida, experimente duas notas por clique: conte “1 e 2 e”. Comece num andamento confortável, por exemplo 60 BPM, e ajuste se precisar. Se as notas não estiverem claras, toque mais devagar ou sem o clique para observar o movimento. Há mais ideias no guia de sincronia das mãos.

6 minutos: levar a ideia para uma música

Pegue um trecho curto que use uma dificuldade parecida. Pode ser uma frase de quatro notas, uma passagem entre duas cordas ou a troca entre dois acordes. Toque primeiro só o pedaço difícil; depois inclua um pouco do que vem antes e do que vem depois. Isso ajuda a praticar a entrada e a saída, não apenas o movimento isolado.

Se estiver estudando uma troca de acordes, por exemplo, toque quatro batidas em cada acorde e passe de um para o outro. Depois tente a mesma troca no ritmo da música. Pode começar sem metrônomo e acrescentar o clique quando isso ajudar. Termine tocando o trecho de um jeito musical, mesmo que mais devagar que a gravação.

2 minutos: fechar e anotar

Toque algo de que gosta ou repita a passagem inteira sem parar a cada erro. Em seguida, anote uma observação curta: “troca de acordes, 60 BPM, uma batida por clique; a segunda troca ainda atrasou”. O objetivo é saber por onde voltar, não dar uma nota para si mesmo.

Se tiver mais ou menos tempo

Com cinco minutos, você pode tocar um pouco para começar, escolher uma dificuldade e aplicá-la numa frase ou troca curta. Não precisa comprimir todos os blocos acima em partes iguais. Se o tempo acabar, anote onde parou e continue em outra oportunidade.

Com 30 minutos, experimente 5 minutos para começar, 8 de técnica, 12 de música e 5 para tocar livremente e registrar. Nos 8 minutos de técnica, você pode dividir o tempo entre coordenação e ritmo, ou ficar em apenas uma tarefa. Na parte musical, trabalhe um segundo trecho ou junte os trechos que já estudou. Esses tempos são sugestões, incluindo as pausas de que precisar.

Se uma passagem exigir muita atenção, reduza o tamanho em vez de repetir a música inteira sem saber onde está o problema. Também vale trocar o exercício quando ele não tiver relação com o que você quer tocar. A prática pode mudar com seu objetivo, seu tempo e sua disposição.

O que registrar sem complicar

Uma linha por sessão já ajuda: data, trecho ou exercício, andamento, subdivisão e o que você ouviu. Por exemplo: “frase na Mi grave, 60 BPM, duas notas por clique; primeira repetição clara, terceira irregular”. Se tocou sem metrônomo, anote isso no lugar do BPM. Uma gravação curta no celular também pode ajudar você a comparar a clareza mais tarde, se quiser.

Na próxima sessão, comece pelo que anotou. Se estiver confortável e claro, experimente um pequeno aumento de andamento; se perder o controle, volte ou mantenha o andamento. Não é necessário subir o número toda vez. Às vezes o trabalho é tocar o mesmo trecho com ritmo mais estável ou conectá-lo ao resto da música.

Pausas também fazem parte

Solte as mãos entre tentativas, mude de atividade ou encerre mais cedo quando precisar. Se sentir dor, pare de tocar; se ela persistir, procure orientação profissional. Não use o relógio para se obrigar a continuar.

Uma rotina útil é aquela que você consegue adaptar. Escolha uma coisa para observar, toque um pouco de música e deixe uma pista para a próxima vez. O resto pode mudar junto com você.

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